// a promessa deles contra a conta deles

Mentiram
para você

O que economistas, jornais e governo repetem, conferido contra os números oficiais que eles mesmos publicam. Cada afirmação com fonte. Cada conta, aberta.

↓ ROLE PARA EXPLORAR

FOCAMOS EM: MENTIRAS FALÁCIAS MAL-ENTENDIDOS EQUÍVOCOS ERROS FALSIDADES

AS MENTIRAS PRINCIPAIS

Três frases que você ouve a vida inteira

Cada uma cai com uma conta ou com o texto da própria lei. Clique e veja.

01 / A MENTIRA-MÃE

"O governo vai ajudar as pessoas"

Antes de "ajudar" qualquer pessoa, o governo cobra de todas — e esconde a cobrança onde você não vê: na folha do seu patrão e dentro do preço de tudo que você compra. A conta abaixo usa as regras vigentes em 2026 e só fontes oficiais.

■ O casal de R$ 10 mil com dois filhos

O que o casal vê no holerite

R$ 8.997 líquidos/mês

Bruto de R$ 10.000 (R$ 5.000 cada). INSS: R$ 501,51 de cada um. Imposto de renda: zero — a Lei 15.270/2025 isentou salários até R$ 5.000/mês. É o que o governo celebra.

O que o trabalho deles custa

R$ 15.089 /mês aos empregadores

Com 13º, férias e encargos, os dois salários de R$ 5.000 custam R$ 15.089 por mês. Desses, R$ 3.089 vão direto ao governo (INSS patronal 20% + RAT + Sistema S) e R$ 889 ficam trancados no FGTS.

O que o governo leva do casal "isento"

≈ R$ 6.341 /mês

Encargos sobre o trabalho (R$ 3.089) + INSS dos dois (R$ 1.003) + tributo embutido em tudo que compram (≈ R$ 2.249, estimando 25% do preço — arroz tem 17%, carne 29%, remédio 33%).

42% do custo do trabalho do casal. Esse é o tamanho da "isenção".

■ Quanto custa comer bem — a fartura nutricional

A cesta básica oficial é ração essencial de sobrevivência — a lista vem de um decreto de 1938. Em julho/2026 ela custava R$ 915,01 em São Paulo; para uma família de 2 adultos + 2 crianças (que o próprio DIEESE trata como 3 adultos), o mínimo do mínimo sai por R$ 2.745/mês. Nossa pergunta é outra: quanto custa fartura — carne todo dia, fruta à vontade, ovo, queijo, peixe, café?

Item (família, por mês)QtdePreçoCustoTributo embutido
Carne bovina10 kgR$ 58,00R$ 580,0029,0% · R$ 168,20
Frutas variadas40 kgR$ 10,00R$ 400,0011,8% · R$ 47,12
Legumes e verduras32 kgR$ 9,00R$ 288,0011,8% · R$ 33,93
Leite40 LR$ 7,00R$ 280,0018,7% · R$ 52,22
Peixe4 kgR$ 50,00R$ 200,00~29% · R$ 58,00
Pão10 kgR$ 20,00R$ 200,0016,9% · R$ 33,72
Ovos10 dzR$ 18,00R$ 180,00~18,7% · R$ 33,57
Café1,5 kgR$ 110,00R$ 165,0016,5% · R$ 27,26
Frango8 kgR$ 19,00R$ 152,0026,8% · R$ 40,74
Queijo2,5 kgR$ 60,00R$ 150,00~18,7% · R$ 27,98
Manteiga1,5 kgR$ 85,00R$ 127,50~18,7% · R$ 23,78
Massas e farinhas8 kgR$ 9,00R$ 72,0017,2% · R$ 12,41
Arroz10 kgR$ 7,00R$ 70,0017,2% · R$ 12,07
Batata e raízes10 kgR$ 7,00R$ 70,0011,8% · R$ 8,25
Óleo e azeite4 LR$ 16,00R$ 64,0022,8% · R$ 14,59
Feijão6 kgR$ 10,00R$ 60,0017,2% · R$ 10,34
Açúcar3 kgR$ 6,00R$ 18,0030,6% · R$ 5,51
FARTURA NUTRICIONAL — TOTALR$ 3.076,50R$ 609,67 (19,8%)

CONTA ABERTA

Quantidades e preços são estimativa nossa (capital, agosto/2026, atacarejo + feira); os percentuais de tributo são do IBPT/Impostômetro — itens sem dado próprio usam o produto mais próximo (marcados com ~). Discorda de um preço? Refaça a linha: a conclusão aguenta. Dentro do carrinho de comida desta família vão R$ 610 de imposto por mês. Sem tributo, a mesma fartura custaria R$ 2.467.

Casal de R$ 10 mil

Fartura = 34% da renda líquida (R$ 3.076 de R$ 8.997). Sobram R$ 5.920 para aluguel, luz, transporte, escola, roupa, remédio — e o governo ainda leva um pedaço de cada um desses também.

É muito? É pouco?

Esse casal já vive melhor que a maior parte do país — veja abaixo. E mesmo para ele, comer com fartura consome um terço de tudo que entra.

■ Agora o casal de R$ 5 mil

A renda

R$ 4.599 líquidos/mês

R$ 2.500 cada. INSS de R$ 200,69 por pessoa, IR zero. Dois filhos, a mesma boca para alimentar.

A comida

60% da renda só no MÍNIMO

A cesta de sobrevivência (DIEESE × 3) custa R$ 2.745 — 60% da renda líquida. A fartura (R$ 3.076) levaria 67%, deixando R$ 1.522 para aluguel, luz, transporte, roupa e remédio. Fartura, para esta família, é matematicamente inviável.

Quantos vivem assim?

69% dos ocupados ganham até R$ 3.242

PNAD 2º tri/2026: 69,1% dos ocupados ganham até 2 salários mínimos. Rendimento médio: R$ 3.762. Salário médio de admissão (Caged, jul/26): R$ 2.419. O casal de R$ 5 mil ganha mais que o brasileiro típico — e não alcança a fartura.

O PRÓPRIO ESTABLISHMENT SABE

O DIEESE calcula todo mês quanto um salário precisaria valer para sustentar uma família de quatro: R$ 7.687,01 (jul/2026). O salário mínimo real é R$ 1.621,00 — 4,7 vezes menos. Os dois números saem da mesma instituição, no mesmo mês, e ninguém junta as duas pontas em público.

■ O governo contra o próprio discurso

Contradição documentada nº 1

"Zelar pela livre concorrência"

Missão oficial do CADE: "zelar pela livre concorrência no mercado (...) fomentar e disseminar a cultura da livre concorrência". Enquanto isso, o mesmo governo mantém tarifa média de importação de 12,0% — contra 3,4% dos EUA, 4,3% da União Europeia e 7,5% da China. Só Índia e Coreia do Sul superam o Brasil no G20. E a compra internacional do cidadão paga 60% de imposto de importação + ICMS.

Concorrência é bem-vinda — desde que não concorra.

Contradição documentada nº 2

"Prioridade é o povo" — taxando arroz e remédio

O discurso é ajudar quem mais precisa. A prática: 17% de tributo no arroz e no feijão, 29% na carne, 30,6% no açúcar — e nos remédios, a maior carga do mundo (~31–33%, contra média mundial de ~6%; EUA, Canadá e México isentam).

Itens básicos, tributação de artigo de luxo.

02 / A CONTA

De cada R$ 12 mil que o seu trabalho custa, quanto vira vida?

Comece por onde ninguém começa: o desembolso do patrão. Um trabalhador cujo empregador gasta R$ 12.000 por mês (já contando 13º, férias e encargos) recebe salário de R$ 7.953. Siga o dinheiro até a última parada.

Encargos patronais R$ 2.457
INSS + IRRF do trabalhador R$ 2.103
Tributo embutido no consumo R$ 1.683
FGTS — seu, mas trancado R$ 707
Vida (consumo real) R$ 5.050

■ A conta, linha por linha

EtapaValor/mêsFica com
Desembolso total do empregador salário + 13º + ⅓ férias + encargos, média mensalR$ 12.000,00
Encargos patronais INSS 20% + RAT 2% + Sistema S 5,8% sobre toda a remuneração — Lei 8.212/91, art. 22− R$ 2.456,55Governo
FGTS 8% é seu, mas você não pode usar — Lei 8.036/90− R$ 706,92Caixa (trancado)
Remuneração bruta média salário R$ 7.952,89 + 13º e ⅓ férias mensalizados= R$ 8.836,52Você (no papel)
INSS do trabalhador tabela progressiva 2026, sobre salário e 13º− R$ 991,16Governo
IRRF 27,5% − parcela a deduzir; sem redutor: acima de R$ 7.350 a Lei 15.270 não alcança− R$ 1.112,27Governo
Líquido médio no bolso= R$ 6.733,09Você
Tributo embutido no consumo ≈ 25% do preço de tudo que você compra (estimativa central; veja a sensibilidade)− R$ 1.683,27Governo
Vida — consumo realR$ 5.049,8242,1%
Governo — totalR$ 6.243,2652,0%

SENSIBILIDADE — A CONCLUSÃO NÃO DEPENDE DA ESTIMATIVA

O único número estimado é o tributo embutido no consumo. Com 20%, o governo fica com 49,2% dos R$ 12 mil; com 25%, 52,0%; com 30%, 54,8%. Em qualquer cenário: cerca de metade de tudo que o seu trabalho custa não vira vida — vira Estado. E o FGTS (5,9%) é seu, mas decide quem pode usá-lo é o governo.

■ Onde o imposto se esconde

O desenho é deliberado: quem paga não vê, quem vê não sente. O IR sai na fonte antes de você tocar no dinheiro; o resto viaja escondido dentro do preço. Percentual de tributo embutido, segundo o IBPT:

ProdutoTributo no preçoProdutoTributo no preço
Açúcar30,6%Leite18,7%
Carne29,0%Arroz / Feijão17,2%
Frango26,8%Pão francês16,9%
Óleo de cozinha22,8%Café16,5%
Remédios~31–33% (1º do mundo)Frutas11,8%

Recorde silencioso

32,40% do PIB

Carga tributária do governo geral em 2025 — recorde da série histórica, segundo o próprio Tesouro Nacional. Um em cada três reais produzidos no país passa pelo Estado.

O futuro já tem número

27,97% de IVA — o maior do mundo

Alíquota de referência da reforma tributária, calculada pelo próprio Ministério da Fazenda — acima da Hungria (27%), até então recordista mundial. Prometeram simplificação; entregaram o pódio.

03 / O DIREITO QUE TE OBRIGA

Educação e voto: tão bons que são obrigatórios

Pense no absurdo da frase. Ninguém precisa de lei para te obrigar a aceitar um presente. Quando o "direito" vem com multa e artigo de código penal, o nome verdadeiro dele é dever — e quem lucra com o dever não é você.

O "direito" ao voto

Obrigatório sob multa — Constituição, art. 14

"O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos." Faltou? Multa por turno (simbólica no valor, real na burocracia: sem quitação eleitoral não há passaporte, posse em concurso, matrícula em universidade pública).

No mundo, 21 países mantêm voto obrigatório em lei — e só cerca de 10 aplicam sanção de fato. O clube é pequeno e o Brasil faz questão de ficar nele.

O "direito" à educação

Obrigatória dos 4 aos 17 — com código penal atrás

CF, art. 208: educação básica obrigatória dos 4 aos 17 anos. LDB, art. 6º: é dever dos pais matricular. Código Penal, art. 246 ("abandono intelectual"): detenção de 15 dias a 1 mês, ou multa, para quem não prover a instrução primária do filho.

E se a família quiser educar em casa, melhor e mais barato? O STF decidiu em 2018: não pode, enquanto o Congresso não regulamentar. O monopólio agradece.

■ O cartel dos partidos

Democracia deveria ser concorrência pelo seu voto. O mercado político brasileiro é um cartel legalizado: entrada proibida sem filiação, financiamento estatal garantido aos de dentro, comparecimento do cliente obrigatório por lei.

Entrada proibida

0 candidatos independentes

CF, art. 14, §3º, V: filiação partidária é condição de elegibilidade. Não existe candidatura avulsa no Brasil. Para disputar qualquer cargo, você pede permissão a um dos 30 partidos donos do mercado — que ainda impõem cláusula de desempenho para sobrar verba só entre os grandes.

Financiamento garantido — com o seu dinheiro

R$ 4,9 bi fundo eleitoral 2026

Mais R$ 1,13 bilhão de fundo partidário por ano (2025) e ≈ R$ 737 milhões de "horário gratuito" pago via renúncia fiscal às emissoras (2022). O cartel não disputa recursos no mercado: legisla a própria receita.

E o parlamento se paga

R$ 61 bi em emendas — orçamento 2026

Emendas parlamentares aprovadas na lei orçamentária de 2026. O deputado que você foi obrigado a eleger carimba pessoalmente para onde vai uma fatia bilionária do que você foi obrigado a pagar.

A PERGUNTA QUE NÃO SE FAZ

Se voto e escola estatal fossem tão bons quanto dizem, precisariam de multa e código penal para ter clientela? Produto bom não precisa de cliente algemado.

04 / A QUE NÃO TE CONTAM

O maior produtor de desigualdade é quem jura combatê-la

O establishment fala de desigualdade o dia inteiro — sempre a que justifica mais imposto e mais Estado. A desigualdade que o próprio Estado produz não aparece no discurso. Está nos números dele.

Quem sustenta a máquina

O imposto brasileiro cobra mais de quem tem menos

Tributos indiretos (os escondidos no preço) consomem 23,4% da renda dos 10% mais pobres — e 8,6% da renda dos 10% mais ricos. O dado é do IPEA — órgão do próprio governo.

O arroz do pobre paga 17% de imposto. A aplicação financeira do rico, não.

Para onde vai

Do arroz taxado ao contracheque de elite

Servidores federais ganham em média quase o dobro do trabalhador do setor privado equivalente (estimativas de +67% a +96%, Banco Mundial/IPEA). No Judiciário, o salário médio de servidor passa de R$ 16 mil — mais de quatro vezes o rendimento médio do brasileiro (R$ 3.762).

O topo do topo

67,3 mil servidores acima do teto

Receberam R$ 24,3 bilhões além do teto constitucional (R$ 46,3 mil/mês) só em 2025, driblando a Constituição com penduricalhos — estudo publicado pelo FGV Ibre. Nenhum deles paga 17% de imposto para comer arroz sem sentir.

A fila invertida

Quem é obrigado, quem é blindado

A família de R$ 5 mil gasta 60% da renda líquida para comer o mínimo e ainda entrega ~25% de cada compra em tributo embutido. Quem vive do orçamento público tem estabilidade, paridade, penduricalho — e reajuste garantido por lei. Desigualdade não é acidente do sistema. É o modelo de negócio.

MÉTODO, NÃO MORAL

Não é inveja de salário alto — dinheiro ganho em troca voluntária não nos deve satisfação. A questão é outra: salário pago com imposto cobrado sob coação de quem ganha um quinto. Quem taxa o arroz em 17% e paga supersalário com o arrecadado não combate desigualdade. Produz.

05 / O IMPOSTO QUE ADOECE

"Saúde é direito de todos" — taxada como artigo de luxo

Constituição, art. 196: "a saúde é direito de todos e dever do Estado". O mesmo Estado que escreveu isso cobra, dentro de cada caixa de remédio, a maior carga tributária do planeta.

O recorde

~31–33% de tributo no remédio

Brasil: campeão mundial de imposto sobre medicamentos (IBPT/Sindusfarma). A cada R$ 100 na farmácia, mais de R$ 30 são governo.

O mundo

~6% média mundial

EUA, Canadá e México: isenção total. França: 2,1%. O Brasil cobra cinco vezes a média mundial de quem está doente.

No prato

R$ 610 /mês de imposto na comida

É o tributo embutido no carrinho de fartura nutricional da família de quatro (veja a conta). Nutrição é a primeira medicina — e é taxada de 12% a 31%, item a item.

A CONTRADIÇÃO EM UMA LINHA

Nenhum plano de saúde, nenhuma fila de SUS compensa isto: o Estado é sócio de 30% em cada remédio e de ~20% em cada prato de comida — antes de "garantir" qualquer direito, ele encarece os dois insumos básicos da saúde.

EM LEVANTAMENTO

Próximas contas desta editoria: quanto do preço do plano de saúde é tributo e regulação; o custo real do "gratuito" do SUS por família; a fila como imposto pago em tempo e em vidas.

06 / ATUALIDADES E CONTESTAÇÕES

O mural: a manchete deles, o número deles

Promessa documentada na ponta de lá, desfecho documentado na ponta de cá. Sem opinião no meio — quando o governo contesta a leitura, o registro está na ficha. Acervo dos últimos anos, em expansão.

"Déficit zero em 2024"

DEZ/2023 → JAN/2025 MENTIRA
"Vamos perseguir a meta do déficit primário zero no próximo ano" — ministro de Relações Institucionais, dez/2023; meta oficial do arcabouço fiscal para 2024.

O Governo Central fechou 2024 com déficit primário de R$ 43,0 bilhões. A meta só foi declarada "cumprida" após excluir da conta R$ 31,8 bilhões em créditos extraordinários — mudando a régua depois da prova.

"A reforma tributária não aumenta a carga"

2023–2024 → JAN/2025 MEIA-VERDADE
"Reforma não aumenta carga tributária atual" — comunicação oficial do governo federal; estimativa inicial da Fazenda: alíquota de 26,5%.

Após a passagem pelo Congresso, a alíquota de referência foi recalculada em ~28% — o maior IVA do mundo, acima da Hungria (27%), como admitiu o próprio secretário da reforma. Registro honesto: a lei prevê trava que limitaria a referência a 26,5% a partir de 2031 — promessa sobre promessa.

"Tarifa zero para baratear os alimentos"

MAR/2025 → JUN/2025 FALÁCIA
"O governo está abrindo mão de imposto em favor da redução de preço" — vice-presidente/MDIC, ao zerar a tarifa de importação de 9 alimentos (café, carnes, açúcar, azeite...).

Dois meses depois, o café — item da lista — acumulava alta de 80,2% em 12 meses, a maior desde o Plano Real. As importações dos itens isentos caíram 7,7%; o alívio que veio depois veio de safra e câmbio, não do decreto. A falácia: mexer numa tarifa que quase não gerava importação e vender como política de preços.

A meta de inflação que virou sugestão

2021 → 2025 ERRO EM SÉRIE
Meta de 3% ao ano (teto 4,5%), fixada pelo Conselho Monetário Nacional — o compromisso oficial de estabilidade da moeda.

Teto estourado em 2021 (10,06%), 2022 (5,79%) e 2024 (4,83%) — e, em jun/2025, primeiro descumprimento formal do novo regime de meta contínua. Quatro cartas abertas de desculpas do Banco Central desde 2022. Se o seu trabalho falhasse com essa frequência, você seguiria empregado?

"O arcabouço estabiliza a dívida"

ABR/2023 → JAN/2026 EQUÍVOCO
O arcabouço "garante uma estabilização da dívida pública ao final de quatro anos" — Secretaria de Orçamento Federal; projeção da Fazenda: dívida bruta estável em 76,5% do PIB em 2026.

A dívida bruta fechou 2025 em 78,7% do PIB (R$ 10 trilhões) — já acima do patamar prometido para 2026, subindo 2,4 p.p. só no último ano. Em dez/2022, estava em ~72%.

"Desenrola vai beneficiar mais de 30 milhões"

JUL/2023 → MAI/2024 MEIA-VERDADE
O programa "deve beneficiar mais de 30 milhões de pessoas" — Ministério da Fazenda, no lançamento.

Encerrou com 15,06 milhões de beneficiados — metade do anunciado. A manchete do lançamento rodou o país; a do resultado, não.

ACERVO EM EXPANSÃO

Este mural reage a manchetes, colunas e declarações conforme elas saem — e segue garimpando o acervo dos últimos anos. Colunas de economistas em jornal entram nas próximas atualizações, com nome, data e contestação ponto a ponto.

07 / QUEM FALA PELO ESTABLISHMENT

A classe falante

Existe uma classe cujo produto é opinião: economistas de jornal, TV e podcast que ocupam todos os espaços do debate público. Não é um clube secreto — é um mercado, com clientes, salários e incentivos. Esta editoria vai enumerar seus integrantes, um a um, com ficha documentada.

■ O que cada ficha vai trazer

Identificação

Formação, obras publicadas, onde fala (colunas, programas, casas de análise) — o mapa da presença de cada um no debate.

Vínculos

Quem paga: bancos, gestoras, conselhos de empresa, fundações, cargos públicos passados e presentes. Tudo de registro público, com link.

Posições datadas

O que defendeu, quando, com citação — e o que aconteceu depois. Acertos contam. Erros também. A ficha registra os dois.

Vieses expostos

O padrão nas horas decisivas: quem sempre aparece para defender "reforma gradual", "responsabilidade" e "consenso" quando o assunto é mexer no que sustenta o próprio establishment — e some quando o assunto é o imposto do arroz.

REGRA DA CASA

Ficha é documento, não xingamento: só registro público, citação com data e link. Erramos? A correção sai na própria ficha, com destaque. E qualquer citado tem resposta publicada na íntegra, no mesmo lugar.

EM LEVANTAMENTO

As primeiras fichas estão em preparação — nome a nome, com obras, vínculos e posições datadas, no padrão do nosso site-primo Dossiê BNCC, que fez esse trabalho com os formuladores da Base.

As fichas estão no ar

231 pessoas que falam de economia em jornal, TV e no X, cada uma com ficha: temas que trata, publicações por assunto, citações, filiação e posição frente ao governo e ao establishment. Mais duas medições sobre 16.557 textos: a tesoura — em cada tema, a alternativa que quase ninguém considera — e quantos nomeiam a coerção por trás de cada obrigação.

Abrir o levantamento → A tesoura do debate →

O método.

Não é opinião contra opinião. É a promessa deles contra o número deles. Toda afirmação neste site linka fonte primária — lei, portaria, nota oficial, dado do IBGE, do Tesouro, do TSE, da OMC. Quando um número é estimativa nossa (como o tributo médio no consumo), ele vem rotulado como estimativa, com a sensibilidade aberta: mude o parâmetro e veja se a conclusão cai. Até agora, não caiu.

O que vai ao mural, com etiqueta:

Mentira
Afirmação falsa feita por quem tinha os dados para saber que era falsa.
Falsidade
Afirmação objetivamente falsa, demonstrável por documento ou número.
Falácia
Argumento cuja conclusão não decorre das premissas — mesmo com premissas verdadeiras.
Meia-verdade
O pedaço verdadeiro anunciado; o pedaço que muda tudo, omitido.
Mal-entendido
Conceito real distorcido pelo repetidor — por preguiça ou conveniência.
Equívoco / Erro
Previsão ou conta errada. Vira caso quando quem errou cobra o preço do erro de você — e segue no cargo.

Discorda? Refaça a conta. Se a sua fechar melhor que a nossa, a nossa muda — e o registro da correção fica publicado.